Cenários futuros: cartografias do fim e imaginação utópica

  • Ana Luiza Braga
  • André Cerveny

O objetivo é situar a gravidade do quadro socioecológico de modo a suscitar imaginação e ação, e não desespero e impotência. Para isso, estudaremos diferentes estratégias e tecnologias de organização material e simbólica desenvolvidas por lutas coletivas no Brasil e no mundo, além de exercitarmos formas de narrar ressurgências possíveis a partir dos cenários de urgência climática e declínio energético que nos esperam nos próximos 10 a 30 anos.

No dia 26/11, faremos uma análise da conjuntura de crises dos modelos político, econômico e cultural da modernidade à luz da história ambiental brasileira e a partir de uma crítica anticolonial e ecofeminista. Investigaremos estratégias e tecnologias de organização social e regeneração adotadas por diferentes movimentos sociais contrahegemônicos e lutas pelo comum que apontam a transformações emergentes. No dia 28/11, analisaremos criticamente o sequestro da imaginação ocasionado por discursos correntes sobre sustentabilidade e pelas narrativas apocalípticas na produção cultural recente. Indagaremos por modos inventivos de implicação e ativaremos a imaginação utópica recorrendo a autoras como Donna Haraway, Isabelle Stengers e Ailton Krenak e por meio de exercícios coletivos de fabulação especulativa propostos a partir dos 4 cenários futuros prováveis descritos por David Holmgren.

Realização conjunta

  • Ação Educativa
  • Instituto Caaeté

Conteúdo programático

26/11
Breve história ambiental da colonização no Brasil. Negação das bases materiais da vida na matriz do pensamento ocidental. Debate Antropoceno/Capitaloceno: a ação humana como força geoclimática. Mito do crescimento infinito: combustíveis fósseis, ocultamento da extração como produção e exploração do trabalho na base da economia capitalista. Pico de produção mundial do petróleo: rentabilidade energética e sobrecarga da Terra. Cenários futuros: possibilidades socioecológicas entre o declínio energético e o colapso climático. Lutas pelo território, pela água e por outros modos de existência: experiências e legados de movimentos no Brasil e no mundo. Caminhos emergentes: introdução à permacultura, à agroecologia, ao bem viver e à economia de base comunitária.

28/11
Pós-modernidade e “pânico frio”: a capacidade científica de imaginar o fim do mundo e a incapacidade política de imaginar o fim do capitalismo (Déborah Danowski e Eduardo Viveiros de Castro). Análise das distopias e dos discursos sobre sustentabilidade na produção cultural contemporânea e os efeitos das narrativas de futuro na colonização do imaginárioAtivação da imaginação utópica: fabulação especulativa (Isabelle Stengers) e ficção visionária (Walidah Imarisha) para a criação e materialização de futuros transformadores. Exercício coletivo de fabulação utópica a partir de cenários prováveis de declínio energético (David Holmgren).

A quem se destina

Coletivos e movimentos sociais, ativistas e militantes, professoras/es da rede pública e privada, estudantes e pesquisadoras/es, articulações das periferias.

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Educadoras(es)

  • Ana Luiza Braga
  • André Cerveny