Do direito à cidade às interseccionalidades: teoria e forma de democratização do espaço urbano

  • Bruno Puccinelli

Esta formação visa introduzir alguns conceitos e debates em torno da ideia de “direito à cidade” como forma teórica e prática de olhar as ingerências que dificultam o acesso pleno e equitativo do espaço urbano.

Partimos do clássico debate proposto por Henri Lefebvre no livro “O direito à cidade”, publicado pela primeira vez em 1968, cujas interpretações sobre os usos e impedimentos de circulação e encontro na cidade ainda se fazem ecoar, 50 anos depois; passamos pelas discussões acerca da financeirização da vida urbana através da crescente privatização do solo e da periferização de estratos sociais empobrecidos pelo modelo capitalista/financista; tratamos dos processos de gentrificação, que passa pela ressignificação de territórios centrais desvalorizados ao longo das últimas décadas; enfatizamos a abordagem interseccional dos usos da cidade, com foco especial para questões relacionadas a gênero, sexualidade e raça; trazemos as contribuições de feministas negras e da teoria queer para a abordagem espacial; e, finalmente, encerramos com um debate aberto sobre nossas próprias experiências de circulação e constrangimentos na cidade.

Temos, como ponto de partida, a cidade de São Paulo e as mobilizações que têm ajudado a repensar a prática da democracia em seu cotidiano.

Conteúdo programático

– Encontro 1: O direito à cidade – marcos teóricos e práticos
Introdução conceitual e do debate contemporâneo sobre o tema. Aula expositiva sobre o sociólogo Henri Lefebvre e o geógrafo David Harvey (1h30), seguida de análise de exemplo de intervenção (Movimento Passe Livre) e pesquisas recentes (Henrique Parra e “Cidades Rebeldes”). Exibição de doc sobre movimento estudantil de 68, em Paris, e do movimento secundarista recente (2015-16).
– Encontro 2: Cidade para poucos – gentrificação e segregação
Construção de mapa afetivo das circulações das/os participantes a partir dos interesses pessoais e das circulações impostas por obrigações diárias seguida de breve discussão de que cidade acessamos (1h). Exposição do conceito de gentrificação e de seus pressupostos teóricos, partindo do geógrafo Neil Smith e da historiadora Silvana Rubino. Construção de uma proposta dos lugares interditos a partir das experiências das/os participantes para ser alimentada nos encontros seguintes.
– Encontro 3: Cidade, gênero e contradições da neutralidade espacial
Exposição de conceitos relacionados à produção social do espaço e da binaridade de gênero a partir da filósofa Judith Butler e da geógrafa Doreen Massey e suas implicações nos constrangimentos às circulações de pessoas cujas subjetividades se encontrem no espectro feminino, tais como mulheres cis ou trans. Debate sobre a polarização entre espaço público e privado a partir das teóricas feministas bell hooks e Audre Lorde. Inclusão das questões de gênero na proposta de lugares interditos.
– Encontro 4: Cidade e sexualidade – moralidades, violências e afetos
Exibição do doc “Um lugar para beijar” e introdução da discussão sobre afeto em espaços públicos como forma de significar tais lugares. Análise das possibilidades e constrições postas pelos mercados segmentados, tais como o LGBT no marco das Paradas, partindo dos trabalhos da antropóloga Isadora Lins França, e das trocas sexuais a partir do trabalho clássico do antropólogo Néstor Perlongher sobre os michês do centro. A partir deste debate, apresentação de exemplos com foco para a militância das “famílias LGBT”, formadas por jovens das periferias e fechamento da proposta dos lugares interditos a partir das sexualidades. Conversa final sobre a formação.

A quem se destina

Coletivos e movimentos sociais, ativistas e militantes, professoras/es da rede pública e privada, estudantes e pesquisadoras/es, articulações das periferias.

Educadoras(es)

  • Bruno Puccinelli