Literaturas anticoloniais: percursos em língua portuguesa

  • Privado: Jacqueline Kaczorowski

A formação visa discutir algumas das possíveis relações entre literatura e política, compreendendo a representação literária como produção artística que não existe de forma independente de complexas e intrincadas determinações sócio-históricas, tendo como foco os sistemas literários angolano e o moçambicano.

As leis 10.639/03 e 11.645/08, frutos de muita luta, preconizam a obrigatoriedade do ensino de conteúdos até então menosprezados pelo currículo escolar: História, cultura e literaturas africanas, afro-brasileiras e indígenas. Embora já tenham entrado em vigor há certo tempo, ainda é possível perceber que nem todos os professores têm acesso a esses conteúdos durante seus processos formativos.

Com o objetivo de contribuir para a diminuição de parte desta lacuna, o curso pretende apresentar e discutir alguns elementos concernentes à formação e ao desenvolvimento de dois sistemas literários em particular, o angolano e o moçambicano.

Compreendendo a representação literária como produção artística que não existe de forma independente de complexas e intrincadas determinações sócio-históricas e tendo como pressuposto teórico o materialismo dialético, é proposta uma leitura das relações entre texto literário e sociedade que busque explicitar algumas das contradições que o objeto literário pode abarcar de acordo com o contexto em que se constitui e circula.

A reformulação de gêneros textuais será focalizada como recurso estético engendrado como resposta à complexidade dos contextos em pauta. Entre outras questões, a violência, o racismo e a exploração que caracterizam o colonialismo, por exemplo, servirão de impulso às escritas que se colocam radicalmente a serviço da construção da dignidade e da autonomia.

Conteúdo programático

·         O direito à literatura – Antonio Candido e a função humanizadora da literatura em debate

·         Literatura colonial e a construção de um olhar sobre o outro

·         Contraposições: Chinua Achebe e a crítica a Conrad; Chimamanda Ngozi Adichie e o perigo da história única

·         Mobilização e cultura: Pan-africanismo, Negritude e algumas vozes da resistência

·         Formação de consciências nacionais: linguagens da contestação

·         Complexidades da escolha da língua na escrita literária

·         Ecos do Modernismo brasileiro

·         Poesia e lutas de libertação

·         Prosa de ficção: ethos revolucionário e estética revolucionária – um debate em aberto

A quem se destina

Jovens e adultas(os) interessadas(os) em literatura, educadoras(es), pesquisadoras(es) e estudantes.

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Educadoras(es)

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