A disputa pela memória das palavras africanas na língua portuguesa

O que é escolhido estar num museu é uma questão política e em constante conflito. Uma das práticas de construção de uma memória nacional foi sobrepor narrativas, em especial, aquelas de caráter conflitivo. Entretanto, quando a conjuntura muda, estudos que foram contidos por motivos políticos ganham nova visibilidade. A forma de pensar a presença das palavras africanas na língua portuguesa do Brasil, por exemplo, evidencia disputas políticas que foram silenciadas na construção de um país monolíngue. Faz-se necessário refletir sobre estas posições flutuantes e que também
aparecem na narrativa dos novos museus digitais. Por isso, esta oficina tem como objetivo apresentar a narrativa apresentada pelo Museu da Língua Portuguesa sobre a presença das palavras
africanas no nosso modo de falar esta língua.

Conteúdo programático

Na primeira hora será exposto uma breve apresentação da história do patrimônio imaterial e a sua
aproximação com a Nova Museologia. Estas referências serão problematizadas no interesse pelas
narrativas silenciadas, assim como possibilitará um momento de debate sobre a formação das
coleções dos museus, bem como as possibilidades de uma narrativa decolonial. Será apresentado
igualmente os marcos conceituais da Nova Museologia, a qual continua em discussão na definição
dos museus. Na segunda hora, será ilustrado com frases e palavras a relação entre a língua
portuguesa e as línguas Bantu e Iorubá, o mapa de localização destes grupos linguísticos no
continente africano e as abordagens teóricas que explicam como estas línguas marcaram a língua
portuguesa falada no Brasil. Na última hora da oficina, abordaremos exemplos do Museu da Língua
Portuguesa em significar as palavras africanas na sua narrativa museológica. Fecharemos a oficina
com avaliações dos participantes sobre a abordagem deste museu, isto é, sobre como ele se justifica
como patrimônio imaterial e como se insere numa proposta de nova museologia.

A quem se destina

Interessados/as em geral.

Educadoras(es)

  • Wilmihara Benevides da Silva Alves dos Santos